Fresca? Não! Bem criada.

Colunistas

12
jul

Autorização judicial para viagem com crianças e adolescente

As férias escolares chegaram e você está pensando em viajar com a família? Então fique atento às dicas de hoje sobre a documentação necessária para viajar com crianças e adolescentes.

O primeiro ponto a destacar chega a ser intuitivo de tão básico, mas é sempre bom lembrar. Em todos os casos, os viajantes devem obrigatoriamente levar um documento de identificação. Crianças e adolescentes que eventualmente não tiverem carteira de identidade devem viajar com a certidão de nascimento original ou autenticada. Mas há casos em que não basta apenas o documento de identificação e isso é o que veremos a seguir.

A Lei n. 8.069/90, conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), estabelece que nenhuma criança pode viajar para fora da cidade onde reside, desacompanhada dos pais ou responsável, sem expressa autorização judicial.

Portanto, a autorização judicial é exigida para crianças (0 a 12 anos de idade incompletos)  que forem viajar desacompanhadas ou na companhia de pessoas que não sejam seus parentes até o terceiro grau (irmãos, tios e avós).

Veja que se a viagem for com primos ou com amigos, a autorização judicial é obrigatória. Para requerer a autorização, poderá um dos genitores comparecer à Vara da Infância e apresentar documento de identificação da criança (certidão de nascimento, original ou cópia autenticada, ou carteira de identidade) e dos pais ou responsáveis (carteira de identidade ou outro documento que tenha validade por força de lei). No caso de responsável legal, é preciso comprovar a guarda ou tutela mediante certidão do juízo que a concedeu.

A autorização judicial é dispensável quando a criança estiver na companhia do pai, da mãe ou de ambos, do responsável legal, ou ainda de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco (art. 83, § 1º, b, 1, do ECA). Nesses casos, basta a certidão de nascimento original ou autenticada.

Foto: Conselho Nacional de Justiça

Já o adolescente (12 a 17 anos de idade) não necessita de autorização para viajar no Brasil, bastando portar documento de identidade original ou certidão de nascimento original ou cópia autenticada (art. 83 c/c art. 2º do ECA).

No que diz respeito a viagens internacionais, vale mencionar que a Resolução n. 131, do Conselho Nacional de Justiça, estabelece que a autorização judicial é dispensável quando crianças ou adolescentes brasileiros residentes no Brasil viajarem ao exterior em companhia de ambos os genitores; em companhia de um dos genitores, desde que haja autorização do outro, com firma reconhecida; desacompanhado ou em companhia de terceiros maiores e capazes, designados pelos genitores, desde que haja autorização de ambos os pais, com firma reconhecida. A autorização dos pais pode ocorrer por escritura pública (art. 4º da Resolução 131 do CNJ). O guardião por prazo indeterminado ou o tutor, ambos judicialmente nomeados em termo de compromisso, que não sejam os genitores, poderão autorizar a viagem da criança ou adolescente sob seus cuidados, nos termos do art. 7º da Resolução mencionada.

A autorização é exigida sempre que crianças e adolescentes (0 a 17 anos) precisarem viajar para outros países desacompanhados, na companhia de apenas um dos pais ou acompanhados de terceiros.

Se a criança ou o adolescente for viajar desacompanhado ou na companhia de terceiros, ambos os pais devem autorizar. Se a viagem for com apenas um dos genitores, o outro precisa autorizar. A autorização deve ser apresentada em duas vias originais, com firma reconhecida por autenticidade ou semelhança

Importante acrescentar que para crianças e adolescentes brasileiros residentes no exterior, tenham ou não outra nacionalidade, a autorização judicial é dispensável, quando  estiverem viajando de volta ao país de residência, nos casos em que estiverem em companhia de um dos genitores, independentemente de qualquer autorização escrita; desacompanhado ou acompanhado de terceiro maior e capaz designado pelos genitores, desde que haja autorização escrita dos pais, com firma reconhecida.

A comprovação da residência no exterior deve ser feita mediante Atestado de Residência emitido, há menos de dois anos, por Repartição Consular brasileira. O Atestado deve ser apresentado no original ou em cópia autenticada, no Brasil ou por Repartição Consular brasileira. Uma cópia simples ou autenticada do documento, a ser providenciada pelo interessado, será retida pelo agente de fiscalização da Polícia Federal no momento do embarque.

Existem, ainda, algumas situações excepcionais.

Se os genitores são falecidos, o falecimento deve ser comprovado pelo interessado mediante apresentação da certidão de óbito, original ou em cópia autenticada. Uma cópia simples do documento, a ser providenciada pelo interessado, ficará retida pela Polícia Federal.

No caso de genitores suspensos ou destituídos do poder familiar, não é exigível a autorização, devendo o interessado comprovar a circunstância por certidão de nascimento da criança ou adolescente, averbada, original ou autenticada. Uma cópia simples do documento, a ser providenciada pelo interessado, ficará retida pela Polícia Federal.

Não será exigida autorização de viagem no caso de menores de 18 anos quando foram emancipados, nos termos do art. 5º do Código Civil. Por último, na hipótese de criança ou adolescente adotado em “adoção internacional” que esteja saindo do Brasil pela primeira vez em companhia do(s) adotante(s), deve ser apresentado à Polícia Federal, no momento da fiscalização imigratória, alvará judicial com autorização de viagem expedida nos termos do §9º, art. 52, do ECA.

A Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal disponibiliza na internet modelo de autorização de viagem internacional, com as informações que devem constar no documento. Um formulário modelo também pode ser encontrado no site do Conselho Nacional de Justiça. Se persistirem dúvidas, basta comparecer em uma Vara da Infância e Juventude da sua cidade ou na Polícia Federal. Para quem mora no exterior, a dica é procurar o Consulado brasileiro.

Agora uma informação importante para quem pretende obter passaporte novo! Menores desacompanhados poderão viajar para o exterior com autorização dos pais ou responsáveis no próprio passaporte. Isso mesmo. Desde o final de 2014, o Sistema Nacional de Passaportes (SINPA) permite que novos passaportes sejam emitidos com essa autorização impressa na página de identificação do documento. Como visto, pelo sistema anterior, era obrigatória a permissão reconhecida em cartório para que os menores pudessem sair do Brasil.

Com essa alteração, passam a existir as seguintes opções de permissão no formulário de confecção do passaporte: sem a presença de um dos responsáveis ou de ambos. A terceira opção prevê a manutenção do sistema anterior, ou seja, a apresentação de autorização impressa e reconhecida em cartório.

Importante lembrar que no Brasil os passaportes têm prazo de validade de cinco anos. Excepcionalmente, podem valer menos, nos casos de crianças de até quatro anos. Para elas, a validade do passaporte é idêntica ao tempo de vida da criança. Por exemplo, passaporte de bebês de um ano terão validade de um ano.

Para viagens nacionais, a apresentação de autorização de viagem impressa continua obrigatória para crianças (menores de 12 anos) desacompanhadas de pais ou responsáveis.

Enfim, pode parecer complicado, mas precisamos lembrar que essas exigências objetivam resguardar a segurança das crianças e adolescentes. A legislação, rigorosa, tem por finalidade evitar o tráfico de pessoas. O assunto é sério e precisamos respeitar a lei!

Bianca Cobucci é Defensora Pública, Mestre em Políticas Públicas e coordenadora do Projeto Falando Direito; Autora do blog Teoria da Viagem. Escreve sobre os direitos do consumidor relacionados à viagem e turismo, bem como sobre os países e lugares que já que visitou.

28
jun

Bate-volta de Capri a Roma

A ilha de Capri é um destino super desejado pelos turistas que procuram
badalação. Parece estar sempre em festa. Mas essa charmosa ilha italiana também pode ser visitada
em apenas um dia. Ou seja, ainda que você esteja hospedado em Roma, por exemplo, é possível dar
uma chegadinha na ilha. A viagem bate-volta de Roma a Capri é factível, mas saiba que você terá
poucas horas para aproveitar tudo que ela oferece!

Para chegar na ilha, o primeiro passo é pegar o trem de Roma para Nápoles. Não é
possível ir direto a partir de Roma, salvo se você tiver bala na agulha para chegar de helicóptero.
Conforme minha pesquisa hoje, o primeiro trem mais rápido que sai da estação Termini, com
destino à estação central de Nápoles, parte às 7:00. O tempo do trajeto é de uma hora e dez minutos.
A tarifa encontrada foi de 39,90 euros, mas varia conforme o dia, a duração da viagem (trens mais
rápidos são mais caros), a classe (primeira ou segunda classe), e a possibilidade de alterar a data de
viagem. Você pode conferir todas as informações, como bilhetes e horários, no site da Trenitalia.

Ao chegarmos na estação de Nápoles, fomos direto para saída, onde há um ponto
de táxi, e seguimos para o porto. Esse trajeto não leva mais do que quinze minutos, se o trânsito
estiver fluindo. Uma dica: atrás do assento do motorista há uma tabela com o valor da corrida para o
porto. Se você fala italiano é possível argumentar em casos de divergência entre o valor da tabela e
o cobrado. Caso contrário, fica complicado, né? Isso aconteceu com a gente. Ninguém falava
italiano, o motorista do táxi cobrou a mais, tentamos conversar em inglês, mas ele ignorou. Para
evitar confusão, cedemos e pagamos um valor maior do que o da tabela.

O transporte marítimo de Nápoles para Capri sai de dois portos. De Molo
Beverello saem os aliscafi (lanchas de alta velocidade que fazem o percurso em 50 minutos),
enquanto que de Calata Porta di Massa partem os barcos rápidos e balsas (mais lentos e econômicos
do que os aliscafi e podem levar 60 minutos, ao passo que os mais lentos, levam 90 minutos).

Os bilhetes podem ser comprados no momento do embarque. Horários e preços
mudam, por isso o ideal é conferir um dia antes de partir, sobretudo em caso de mal tempo, pois
quando o mar está muito agitado os aliscafi são cancelados e partem apenas balsas e barcos rápidos.

O desembarque em Capri é na Marina Grande. De lá saem passeios de barco para
a Gruta Azul e outros de volta à ilha.Nós optamos por pegar o funicular para chegar na parte alta da ilha, no centro da
cidade, onde fica a praça principal La Piazzeta, repleta de restaurantes, cafés e bares. Depois de dar
uma voltinha na praça, é legal passear pela Via Camerelle, uma ruazinha super charmosa repleta de
lojas luxuosas.Um dos lugares inesquecíveis de Capri é o mirante onde estão os Jardins de Augusto. De lá, você poderá admirar as famosas curvas sinuosas e sobrepostas da Via Krupp! A história sobre a construção dela é bem interessante! No início do século XX, o alemão Friedrich Alfred Krupp tinha como costume passar as férias em Capri. Krupp costumava atracar o seu iate em Marina Piccola, mas achava cansativo chegar até a sua suite no Grand Hotel Quisisana. Para resolver o problema, ele solicitou ao engenheiro Emilio Mayer a construção de uma rua de Marina Piccola até a área da Certosa di San Giacomo e dos Jardins de Augusto. Foi assim que o engenheiro fez um corte nas rochas e criou a Via Krupp, com suas curvas sobrepostas.Dos Jardins de Augusto, você também verá os famosos Faraglioni, cartão-postal  da ilha. O visual é de tirar o fôlego!!!Se você quiser fazer a viagem de bate-volta para Capri a partir de Roma, é  imprescindível chegar bem cedinho para conseguir aproveitar bem. Para economizar tempo, também é importante chegar na ilha com uma programação básica em mente, já sabendo o que você pretende ver e fazer. Para mais detalhes sobre os passeios recomendados e outras informações, dá uma olhadinha no site sobre a ilha de Capri.

Bianca Cobucci é Defensora Pública, Mestre em Políticas Públicas e coordenadora do Projeto Falando Direito; Autora do blog Teoria da Viagem. Escreve sobre os direitos do consumidor relacionados à viagem e turismo, bem como sobre os países e lugares que já que visitou.

28
jun

Bate-volta de Capri a Roma

A ilha de Capri é um destino super desejado pelos turistas que procuram badalação. Parece estar sempre em festa. Mas essa charmosa ilha italiana também pode ser visitada em apenas um dia. Ou seja, ainda que você esteja hospedado em Roma, por exemplo, é possível dar uma chegadinha na ilha. A viagem bate-volta de Roma a Capri é factível, mas saiba que você terá poucas horas para aproveitar tudo que ela oferece!

Para chegar na ilha, o primeiro passo é pegar o trem de Roma para Nápoles. Não é
possível ir direto a partir de Roma, salvo se você tiver bala na agulha para chegar de helicóptero.
Conforme minha pesquisa hoje, o primeiro trem mais rápido que sai da estação Termini, com
destino à estação central de Nápoles, parte às 7:00. O tempo do trajeto é de uma hora e dez minutos.
A tarifa encontrada foi de 39,90 euros, mas varia conforme o dia, a duração da viagem (trens mais
rápidos são mais caros), a classe (primeira ou segunda classe), e a possibilidade de alterar a data de
viagem. Você pode conferir todas as informações, como bilhetes e horários, no site da Trenitalia.

Ao chegarmos na estação de Nápoles, fomos direto para saída, onde há um ponto de táxi, e seguimos para o porto. Esse trajeto não leva mais do que quinze minutos, se o trânsito estiver fluindo. Uma dica: atrás do assento do motorista há uma tabela com o valor da corrida para o porto. Se você fala italiano é possível argumentar em casos de divergência entre o valor da tabela e o cobrado. Caso contrário, fica complicado, né? Isso aconteceu com a gente. Ninguém falava italiano, o motorista do táxi cobrou a mais, tentamos conversar em inglês, mas ele ignorou. Para evitar confusão, cedemos e pagamos um valor maior do que o da tabela.

O transporte marítimo de Nápoles para Capri sai de dois portos. De Molo Beverello saem os aliscafi (lanchas de alta velocidade que fazem o percurso em 50 minutos), enquanto que de Calata Porta di Massa partem os barcos rápidos e balsas (mais lentos e econômicos do que os aliscafi e podem levar 60 minutos, ao passo que os mais lentos, levam 90 minutos).

Os bilhetes podem ser comprados no momento do embarque. Horários e preços mudam, por isso o ideal é conferir um dia antes de partir, sobretudo em caso de mal tempo, pois quando o mar está muito agitado os aliscafi são cancelados e partem apenas balsas e barcos rápidos.

O desembarque em Capri é na Marina Grande. De lá saem passeios de barco para
a Gruta Azul e outros de volta à ilha.Nós optamos por pegar o funicular para chegar na parte alta da ilha, no centro da cidade, onde fica a praça principal La Piazzeta, repleta de restaurantes, cafés e bares. Depois de dar uma voltinha na praça, é legal passear pela Via Camerelle, uma ruazinha super charmosa repleta de lojas luxuosas.

Um dos lugares inesquecíveis de Capri é o mirante onde estão os Jardins de Augusto. De lá, você poderá admirar as famosas curvas sinuosas e sobrepostas da Via Krupp! A história sobre a construção dela é bem interessante! No início do século XX, o alemão Friedrich Alfred Krupp tinha como costume passar as férias em Capri. Krupp costumava atracar o seu iate em Marina Piccola, mas achava cansativo chegar até a sua suite no Grand Hotel Quisisana. Para resolver o problema, ele solicitou ao engenheiro Emilio Mayer a construção de uma rua de Marina Piccola até a área da Certosa di San Giacomo e dos Jardins de Augusto. Foi assim que o engenheiro fez um corte nas rochas e criou a Via Krupp, com suas curvas sobrepostas.Dos Jardins de Augusto, você também verá os famosos Faraglioni, cartão-postal  da ilha. O visual é de tirar o fôlego!!!

Se você quiser fazer a viagem de bate-volta para Capri a partir de Roma, é  imprescindível chegar bem cedinho para conseguir aproveitar bem. Para economizar tempo, também é importante chegar na ilha com uma programação básica em mente, já sabendo o que você pretende ver e fazer. Para mais detalhes sobre os passeios recomendados e outras informações, dá uma olhadinha no site sobre a ilha de Capri.

Bianca Cobucci é Defensora Pública, Mestre em Políticas Públicas e coordenadora do Projeto Falando Direito; Autora do blog Teoria da Viagem. Escreve sobre os direitos do consumidor relacionados à viagem e turismo, bem como sobre os países e lugares que já que visitou.

14
jun

Onde comprar seu vestido de noiva em NY

Quando o assunto é viajar para fazer compras, o primeiro país que vem à nossa mente é Estados Unidos! Acertei?! E a cidade, qual seria? Há grandes chances de ficarmos em dúvida entre Miami e Nova York, certo? Isso é bastante comum quando pensamos em roupas, cosméticos e eletrônicos. Maaaas…e se o objetivo for viajar para comprar “O” vestido de noiva? Será que vale a pena?

Pensando sobre isso decidi compartilhar um pouquinho da minha experiência em procurar e comprar vestido de noiva em NY. Foi fácil? De jeito algum! Mas acredito que em nenhum lugar do mundo seja, salvo para algumas poucas afortunadas. Tenho uma amiga que alugou o primeiro vestido de noiva que experimentou! Sortuda ela, né? No entanto, para a maioria das noivas não será tão simples assim escolher o vestido! Aliás, reza a lenda que não é a noiva que escolhe o vestido, mas o vestido que escolhe a noiva!! E não é que foi assim comigo? Então, meu objetivo com esse relato é contribuir para que a sua decisão seja tomada de forma consciente.

Antes, porém, preciso ressaltar que a minha viagem para NY nunca esteve focada na compra do vestido de noiva. Ela já estava marcada muito tempo antes de eu sonhar que iria casar! Daí, ciente de que os preços aqui no Brasil são altíssimos, inclusive para quem pretende somente alugar, pensei em dar uma olhadinha nas lojas nova-iorquinas, sem compromisso, e acabei sendo escolhida pelo meu vestido!

Também é importante dizer que eu não tinha a mínima ideia do que gostaria de usar nesse dia tão especial. Tinha apenas uma leve noção do que eu não queria, mais pelo estilo que escolhemos para nossa festa do que pelo vestido em si. Cheguei a cogitar em nem usar vestido de noiva! Pensei que, de repente, um vestido maravilhoso de alta-costura cairia muito bem. Só que caí na real quando percebi que um Versace super simples pode custar o dobro de um vestido de noiva perfeito!

Confesso que essa minha falta de conhecimento sobre o que eu gostaria dificultou um pouquinho. Talvez se eu tivesse olhado fotos de vestidos e visitado algumas lojas especializadas aqui mesmo em Brasília, cidade onde moro, teria facilitado tanto na busca quanto na decisão.

Outro fator que merece ser levado em consideração na hora de comprar seu vestido no exterior é a língua. Falar inglês fluentemente ajuda muuuuito. Meu inglês não é o melhor do mundo, mas me viro muito bem. E mesmo assim tive uma certa dificuldade. Isso porque, ao contrário da nossa guru  da moda (Anita Bem Criada, claro!) não entendo nada de tecido, modelo de vestido, nome de decote. Não sei nem em português, quem dirá em inglês! Não tinha a mínima ideia, por exemplo, de que renda, em inglês, é lace. Portanto, é fundamental estar familiarizada com todos os termos desse universo relacionado ao casamento, inclusive em inglês.

Dica importante! As vendedoras são alucinadas por fotos. Elas querem ver o que você gosta.  E até faz sentido isso porque muitas vezes não conseguimos traduzir o que gostamos com palavras, somente imagens. Então, veja muitas fotos e “printe” as que você quiser mostrar como referência.

Por fim, e talvez o toque principal, JAMAIS caia na roubada de comprar algo porque está sendo pressionada. As vendedoras americanas são bastante insistentes e chegam até mesmo a fazer cara feia quando você diz que não gostou de determinado vestido ou que vai pensar e voltar no dia seguinte. Elas simplesmente odeiam isso e não fazem cerimônia em disfarçar. Não tenha receio de dizer educadamente “thank you” e “bye bye”.

Visto isso, vamos às impressões sobre as lojas por onde andei!

 

Kleinfeld Bridals

Apesar de ter ouvido falar que era preciso agendar com meses de antecedência, consegui horário para o dia seguinte (e tinham diversos outros disponíveis). A loja estava, de fato, mais movimentada do que todas as outras em que estivemos. O atendimento foi bom, mas está limitado a duas horas. Pode parecer muito, mas passa voando. Quando a vendedora conseguiu entender o meu estilo, era tarde demais. Dentre os vários vestidos que ela mostrou e os cinco que provei, só gostei do último.

A Kleinfeld ganhou fama mundial com o programa Say Yes to the Dress do canal TLC. No site, é possível dar uma conferida nos vestidos, bem como escolher por estilistas e orçamento. Mas não se assuste. Apesar de constar que os preços começam a partir de 2 mil dólares, é possível encontrar abaixo desse valor. Com uma das maiores coleções de vestidos de noiva em NY, vale a visita.

Endereço:

110 W 20th St

New York, NY 10011

http://www.kleinfeldbridal.com/index.cfm?

 

Bergdorf Goodman

Localizada em Upper East Side, essa loja de departamento chiquérrima conta com um salão exclusivo para noivas. Vale agendar visita se você tiver um orçamento considerável ou se você não se importa em provar e não poder levar. Além disso, depois de escolher, é preciso encomendar o vestido e esperar de 4 a 6 meses para que chegue na loja.

Endereço:

754 Fifth Ave

New York, NY 10022

http://www.bergdorfgoodman.com

 

Saks Fifth Avenue

A Saks já é bem conhecida pelo público brasileiro. No entanto, poucos sabem que existe um salão totalmente dedicado a noivas no nono andar. O atendimento é exclusivamente com horário marcado.

Endereço:

611 Fifth Ave

New York, NY 10022

http://www.saksfifthavenue.com

 

Pronovias

Com sede em Barcelona, a queridinha de muitas noivas tem uma loja em Nova York simplesmente deslumbrante! Com nada mais nada menos do que 7 andares, a chance de você encontrar o vestido perfeito é alta. Para facilitar, fique sabendo que tem uma vendedora brasileiríssima e super simpática. Se for por lá, chame a Heloise.

Endereço:

14 E 52nd St

New York, NY 10022

https://www.pronovias.com

 

RK Bridal

Com uma seleção enorme de vestidos de noivas, a loja funciona desde 1953. Também vende vestidos de festa e acessórios diversos. Segundo a vendedora que nos recebeu, os preços dos vestidos de noiva custam a partir de 800 dólares.

Endereço:

619 W 54th St

New York, NY 10019

http://www.rkbridal.com

 

David’s Bridal

A dez minutinhos a pé da Kleinfeld, a David’s Bridal é uma loja mais simples, com preços de vestidos de noiva bem mais acessíveis. Ideal para quem quer economizar. Ponto negativo: o atendimento.

Endereço:

751 Avenue of the Americas

New York, NY 10010

http://www.davidsbridal.com

 

Lovely Bride

 A entrada é um pouco escondidinha e os arredores da não são tão bonitos assim. Apareci na loja sem horário marcado, por isso não consegui ser atendida. Aproveitei para dar uma olhadinha rápida nos vestidos que estavam expostos. Sei que foi uma olhada bem superficial, mas como não vi nada que enchesse meus olhos acabei decidindo não retornar. De qualquer modo, se você tiver tempo e disposição, não custa conferir. Além de Nova York, a loja está presente em mais onze cidades americanas.

 

Endereço:

182 Duane St

New York, NY, 10013

http://lovelybride.com

 

Wedding Atelier

Comprei meu vestido aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo na Wedding Atelier! A loja está localizada em uma região super badalada, chamada NOMAD (Norte do Madison Park). Era nosso último dia em NY. Estávamos tomando um café no Eataly, quando a descobrimos no Google Maps. Decidimos ir, mesmo sem horário agendado, faltando menos de uma hora para a loja fechar.

Para nossa sorte, a vendedora tinha acabado de finalizar um atendimento. Perguntou o que eu gosta va, em quais lojas tinha ido, quanto era o orçamento. Pediu para ver as fotos. Levou alguns vestidos para o provador. E não é que dentre eles estava o meu?! Para comemorar, fechamos o fim de tarde logo ali, no badalado 230 Fifth Rooftop Bar.

Endereço:

72 Madison Ave.

New York, NY 10016

http://weddingatelier.com

Mas a maratona não termina por aí! Agora, de volta à terrinha, é preciso correr para encontrar uma boa costureira! Aliás, vale ressaltar que é praticamente impossível encontrar o vestido ideal com a sua numeração.

Tanto os vestidos que estão nas araras para provar e depois encomendar quanto os de pronta-entrega são maiores, justamente para vestir o maior número possível de pessoas. Então, se você pensa em comprar seu vestido no exterior, lembre-se que ainda vai gastar com os ajustes.

Por fim, resta lembrar que o vestido entra na cota de U$$ 500,00. Se ultrapassar esse valor, é preciso declarar e pagar o imposto devido. Caso você tente passar pela alfândega sem declarar, pagará, além do imposto, a multa.

Bianca Cobucci é Defensora Pública, Mestre em Políticas Públicas e coordenadora do Projeto Falando Direito; Autora do blog Teoria da Viagem. Escreve sobre os direitos do consumidor relacionados à viagem e turismo, bem como sobre os países e lugares que já que visitou.

30
maio

Moda High-Tech

O futuro quando retratado nos mais variados filmes, vem sempre acompanhado de feitos mirabolantes, carros que voam, e roupas prateadas. O que não paramos para pensar, é que esse futuro tão estimado nas ficções científicas já está acontecendo à nossa volta. Nem sempre com maestria cinematográfica, nem sempre nos beneficiando, mas nos envolvendo e despertando os mais diversos questionamentos sobre a vida em comunidade e a relatividade do tempo.

Na moda, a temática acerca do porvir é frequente e está cada vez mais ligada à maneira como consumimos. Exemplo disso é o sistema See Now, Buy Now (já falado por aqui), em que peças apresentadas nas passarelas podem ser adquiridas minutos depois do desfile, através da internet. Nesse ritmo, a Gucci de Alessandro Michele, saiu na frente, literalmente, e desenvolveu em parceria com o site de compras Farfetch, o projeto F90, no qual a cliente pode obter uma peça em sua casa em até 90 minutos, numa espécie de delivery. O serviço já está disponível em 10 cidades do mundo, incluindo São Paulo.

Em contraponto a essas grandes mudanças no momento de se consumir roupas, a forma como digerimos as informações de moda também está passando por modificações relacionadas ao uso da tecnologia. Nas fashion weeks em todo o mundo, é fácil notar que os espectadores dos desfiles, não andam mais “desacompanhados”. Os celulares e tablets tomaram conta da “fila A”, e registrar sua presença virtual em eventos como esses, se tornou mais importante do que de fato assimilar as diversas referências passadas ali.

Plateia tira fotos com seus telefones celulares durante o desfile da estilista peruana Claudia Jimenez, no Lima Fashion Week, no Peru

A ciência de ponta possui uma infinidade de funções no universo da moda, seja para nos distrair de determinados objetivos, ou nos aproximar dos processos que envolvem a área, como é o caso do segmento esportivo que utiliza do high-tech para criar peças que melhorem a performance do usuário e a funcionalidade da roupa.

Os aplicativos também são ferramentas que facilitam nosso dia-a-dia e podem nos auxiliar no momento de escolher o que usar, ou em treinos de corridas. Esses dois exemplos em questão podem ser ilustrados pelo app Stella, que tem como função dar consultorias de estilo de acordo com o contexto do usuário, e pelo app Nike+ Run Club, que atua como um parceiro de exercícios, desenvolvendo treinos personalizados e pontuando a performance do atleta.

                                                                               Aplicativo Nike+ Run Club

A tecnologia se faz presente em nossas vidas todos os dias e de uma forma cada vez mais efetiva. Ponderar seu uso, ainda é um passo analógico e que deve ser repensado diariamente. O equilíbrio entre o palpável e o virtual se faz necessário para que o futuro siga acontecendo de forma high-tech.

Elisa Santiago é estudante de Design de Moda e uma eterna amante das ruas e das artes. Acredita na roupa como elemento de fala e empoderamento. É quem está por trás do @tens_razão.