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Fresca? Não! Bem criada.

Tag: História da Moda

06
nov

Tudo sobre a Exibição Uniformity no F.I.T.

Quem me acompanhou nas últimas semanas viu que fiz alguns cursos no F.I.T. em NY, durante minha estadia e já tinha ido à Exibição Uniformity que está rolando por lá, sozinha, por minha conta mesmo.

Acontece que posteriormente eu voltei lá com a turma do curso, em uma visita guiada (Talk & Tour) pela curadora da mostra. E gente! Parece que foi outra exposição. Quantos detalhes e observações nosso olhar não absorve de primeira, não é? Fora ouvir isso de uma pessoa totalmente in no assunto. Foi demais!

Fiquei tão empolgada e hoje resolvi mostrar um pouquinho do que está rolando por lá!

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A exposição traz uniformes que vão desde escolares, até do exército e ficam separados em quatro categorias: militar, de trabalho, escolar e desportivo. Vemos uniforme de bombeiro de 1950 a um uniforme escolar contemporâneo do Japão, passando por um uniforme do exército dos EUA da I Guerra Mundial e uma camisola de futebol de 1920.

Os designers e marcas representados em “Uniformity” incluem nomes como Ungaro, Geoffrey Beene, Stella Jean e Gucci. A exposição fecha portas dia 19 de novembro.25380144403_c4cd3a3c97_o_jpg_5803_north_499x_whiteUniforme de futebol de 1920 e vestido inspirado em uniforme de futebol, por Geoffrey Beene (1967)

25380144503_2269e94f67_o_jpg_2646_north_499x_whiteÀ esquerda, Jean Paul Gaultier de 1992. À direita, look Sacai de primavera 2015

25381396823_132ecb729b_o_jpg_7971_north_499x_whiteBlazer da Universidade de Princeton de 1944

25888113042_721f67244c_o_jpg_9657_north_499x_whiteUniforme de comissários de bordo da TWA de 1975

25889365302_627b0663d3_o_jpg_48_north_499x_whiteLook inspirado em estudante japonesa criado por Rudi Gernreich em 1967.

25913965351_54afa5db94_o_jpg_2181_north_499x_whiteUniforme do McDonald’s de 1976

25913965541_c9205edd6a_o_jpg_7159_north_499x_whiteÀ esquerda, uniforme de coronel do exército dos EUA de 1950. À direita, uniforme oficial da Reserva Naval dos EUA de 1942.

25984226216_b7d59ce67d_o_jpg_5722_north_499x_whiteJaqueta Gucci inspirada em uniformes esportivos.

25984226246_b3474006ef_o_jpg_1861_north_499x_whiteLook Comme des Garçons criado em 1998. À direita, uniforme do exército americano usado durante a 1ª Guerra Mundial.

Quem estiver de passagem pela cidade TEM que ir a esse museu (FIT Museum) que mesmo pequeno, é riquíssimo em acervo de moda (um dos poucos do mundo dedicados exclusivamente ao tema).

INFORMAÇÕES:

“Uniformity”
Galeria Fashion & Textile History Gallery do Fashion Institute of Technology (FIT)
20 de maio a 19 de novembro de 2016
www.fitnyc.edu

14
set

Onde a moda encontra a rua

Você conhece aquela expressão “como unha e carne”, que usamos quando nos referimos a pessoas que são muito próximas? Pois bem, é dessa forma que podemos definir a relação entre moda e rua.

Esse amor antigo surgiu por volta da década de 60, passou pelos guetos de Nova York anos mais tarde e perdura até os dias de hoje, servindo de inspiração para os estilistas mais badalados e para nós, pessoas (in)comuns, a procura de novidades. fashion1Uma onda de liberdade nos anos 60 mudou para sempre a relação dos jovens com a moda. Influenciados pelas obras do movimento Beat, a juventude passou a trocar os bares e pubs dos anos 50 pelas ruas e uma nova consciência de consumo começou a surgir.

O mercado, sempre atento às grandes mudanças, passou a produzir roupas diretamente para o público mais novo. Foi a primeira vez na história em que o vestuário jovem se desvinculava do adulto. A moda passou a acompanhar a movimentação das ruas –  a onda pacífica no final da década – e, principalmente, passou a entender que se vestir estava cada vez mais associado ao comportamento de cada pessoa.
fashion2Exemplo de toda a revolução sessentista das ruas: a mini saia. A peça até hoje é enxergada como símbolo de contestação e empoderamento.

Outro acontecimento importante na época, que consolidou de vez a relação moda e rua, foi a abertura da loja de Yves Saint Laurent, na Rive Gauche (margem esquerda do rio Sena-Paris, região marcada por forte cena boêmia e frequência de intelectuais). Até então, tal estilista se comunicava apenas com a parte burguesa e conservadora da cidade, de forma que, ao propor um diálogo com uma moda mais popular, consagrou-se de vez como artista, criando o icônico vestido Mondrian e propondo o smoking como peça do vestuário feminino.

Na década seguinte, o cenário muda e temos Nova York dividida em cinco bairros e uma grande repressão da classe trabalhadora que vivia nos guetos. Como forma de resistência, cada uma das regiões afetadas (Brooklyn, Harlem, Bronx) encontrou na forma de vestir uma identidade que as diferenciava do restante da sociedade. Junto a esse empoderamento através do estilo, surgiam as primeiras batalhas de rap, o break dance e toda a cultura negra que veio a se tornar o hip hop.
fashion3O clássico estilo das ruas em 1983. Foto: Jamel Shabazz

Os anos 80 vieram para consolidar esse movimento. Grupos como RUN-DMC passaram a fazer sucesso nas rádios, com suas letras que cultuavam modelos de tênis Adidas e outras marcas de luxo da época. Nesse momento, surgia a forte relação entre a publicidade e a música, o que afetou a moda. Dali em diante, as grandes grifes passaram a ser indiretamente difundidas por artistas negros e de origens humildes.

Esse fato, consequentemente, revolucionou o perfil do público consumidor e democratizou o status que suas peças transmitiam. Além disso, a cultura hip hop foi pioneira na parceria entre marcas esportivas conceituadas e não atletas.

Ao longo dos anos que se passaram, a rua ficou entendida como local de revolução e contestação. A roupa, símbolo do tempo em que está inserida, se tornou a armadura para quem ali estivesse. O hip hop abriu espaço para que, nos anos 90, outras culturas chegassem ao asfalto e falassem sobre seu ponto de vista.

fashion4Chanel Verão 2015 levou, literalmente, as ruas para a passarela. Foto: IMAXtree

Com a internet acessível para as massas, variados estilos e perfis que se encontravam nas ruas começaram finalmente a se misturar. Uma pessoa que, antes, pertencia a um único movimento, hoje leva consigo referências de diferentes culturas, gostos e locais.

A moda de rua, que agora chamamos de Street Style, ganhou espaço no universo fashion, adentrou as passarelas, inundou os blogs e afirmou em alto e bom tom que veio para ficar.

Onde a moda encontra a rua, uma revolução acontece.

Elisa Santiago é estudante de Design de Moda e uma eterna amante das ruas e das artes. Acredita na roupa como elemento de fala e empoderamento. É quem está por trás do @tens_razão.

10
ago

5 Mulheres Que Fizeram História Na Moda E Você Nem Sabia

Se existe protagonismo no universo da moda, sem dúvidas ele é da mulher. Os primeiros indícios de um desejo de consumo em torno do vestuário apontam para o feminino como alvo.

Estilistas, revistas da área, comerciais de grandes marcas, todos sempre investiram em um público majoritariamente formado por mulheres. Porém, ao longo da história, nós não nos contivemos apenas com o papel de consumidoras e decidimos fazer parte da porcentagem que produz, cria e transgride.

Desde as figuras femininas mais icônicas como Chanel, que apresentou a mulher o minimalismo em peças do vestuário masculino, até as irmãs Kardashians, que por mais polêmicas que sejam, trouxeram ao mundo da moda um novo corpo, empoderado e cheio de curvas, todas possuem um importante ponto em comum: a representatividade dentro e fora do universo fashion.

E foi pensando nessa tal palavrinha de sentido tão forte (representatividade: ainda vamos falar muito disso por aqui), que abri espaço para apresentar outras mulheres, que ao longo da história da moda também deixaram marcas importantes, nos tiraram do lugar comum, e inovaram:

Amelia Bloomer (1818 – 1894)Ms-Bloomer Ms. Bloomer ficou conhecida por propor a calça como parte do vestuário feminino, em busca de um maior conforto numa época em que os esportes passaram a ser também uma atividade para as mulheres. O traje que leva o nome da criadora baseava-se em calças largas que eram presas na altura dos tornozelos e usadas por baixo dos vestidos, proporcionando uma melhor mobilidade para quem a usasse. Infelizmente o traje pouco se popularizou na época, devido as críticas feitas pela imprensa, mas a iniciativa de se questionar o conforto feminino ajudou milhares de mulheres que na época viviam entre espartilhos apertados e trajes incômodos. Ms. Bloomer foi provavelmente uma das primeiras feministas da história.

Madeleine Vionnet (1876 – 1975)VionnetCom uma paixão por geometria a estilista francesa desenvolveu os mais inovadores cortes e as mais intrigantes modelagens da história. Suas roupas, famosas por serem de difícil compreensão na hora de vestir, eram construídas a partir do corpo feminino. Madeleine foi uma das primeiras mulheres a acreditar que a roupa deveria se adequar ao corpo de quem a vestisse e não o contrário e isso se resultava em vestidos fluidos e com caimentos que beiravam a perfeição. Além de sua grande importância relacionada ao físico feminino, a estilista também foi ícone quanto a garantia dos direitos de suas funcionárias. Foi uma das primeiras artistas a garantir benefícios sociais ás suas colaboradoras como férias remuneradas, pausas curtas e apoio em casos de emergência.

Grace Jones (1948)Grace-JonesEla pode não estar diretamente ligada ao universo das passarelas, porém Grace Jones lançou tendências marcantes para a década de oitenta. A cantora jamaicana de timbre grave se tornou musa de artistas como Andy Warhol e Jean Paul Goude ao propor um estilo andrógeno marcante. Jones foi a precursora do movimento power dressing, febre oitentista marcada pelo uso de peças com recortes bem geométricos e uma pegada na alfaiataria. Sua importância na indústria ultrapassa o estilo, Grace Jones elevou a figura negra ao patamar de lançadora de tendências e mostrou ao mundo através da androgenia, que mulheres também possuem seu lugar no showbiz.

Sandy Powell (1960)Sandy-PowellRepresentando a classe de mulheres no cinema, Sandy é uma das mais respeitadas figurinistas de Hollywood. Com doze indicações ao Oscar (ganhou três deles, pelos filmes Shakespeare Apaixonado, O Aviador e A Jovem Rainha Vitória), treze indicações ao BAFTA e os mais diversos prêmios na área, Powell exerce sua função com muita profundidade histórica e excelência. Sua mais recente contribuição foi para o filme Carol, no qual as roupas das personagens principais, estreladas por Rooney Mara e Cate Blanchett, são parte primordial para que se entre no clima do enredo e da época em que ele é contado. Powell nos faz entender que a magia do cinema está diretamente ligada a moda.

Amaka Osakwe (1987)Amaka-OsakweA estilista nigeriana foi uma das primeiras africanas a possuir reconhecimento global na moda. Dona da marca Maki Oh desde 2010, Amaka já vestiu figuras como Rihanna, Beyoncé e Michelle Obama. Em 2012 desfilou sua primeira coleção na Semana de Moda de Nova York e foi bastante elogiada devido a suas técnicas manuais de estampas. Dando voz a seu continente e exaltando sua cultura, Osakwe sempre traz em seu trabalho referências históricas que questionam a representatividade negra no mundo.

Elisa Santiago é estudante de Design de Moda e uma eterna amante das ruas e das artes. Acredita na roupa  como elemento de fala e empoderamento.